
Cuidar de um familiar idoso pode ser exaustivo, e isso não é fraqueza. Entenda a síndrome do cuidador e como proteger sua saúde enquanto cuida de quem ama.
São 23h. Todo mundo já foi dormir, o idoso que você cuida, seu cônjuge, talvez seus filhos. A casa finalmente ficou quieta. E você está sentado na cozinha, olhando para o nada, com uma mistura de cansaço, culpa e uma tristeza que você não sabe bem explicar.
Você pensa: “Eu deveria estar feliz. Estou fazendo a coisa certa. Minha mãe está em casa, bem cuidada. Por que me sinto assim?”
Esse sentimento tem nome. Tem causa. E, o mais importante, tem solução.
Ele se chama Síndrome do Cuidador. E afeta milhões de brasileiros que, todos os dias, colocam a saúde de um familiar idoso acima da própria.
A Síndrome do Cuidador é um estado de esgotamento físico, emocional e mental causado pelo acúmulo de responsabilidades no cuidado de outra pessoa, especialmente um familiar idoso com dependência parcial ou total.
Não é fraqueza. Não é ingratidão. É uma resposta real do organismo a uma sobrecarga real.
Essa síndrome se instala devagar, disfarçada de “cansaço normal”. Veja se você se identifica com algum desses sinais:
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Um dos aspectos mais cruéis da síndrome do cuidador é a culpa que a acompanha.
Você se sente culpado por estar cansado, afinal, “é sua mãe”, “é seu pai”. Culpado por, em algum momento, ter desejado um dia de folga. Culpado por não conseguir equilibrar tudo. Culpado por não ser suficiente.
A culpa impede que você peça ajuda. Que reconheça seus limites. Que cuide de si mesmo. E, no fim, compromete a qualidade do cuidado que você oferece ao seu familiar, o oposto do que você queria.
Quando o cuidador adoece, física ou emocionalmente, o idoso perde seu principal suporte.
Estudos mostram que cuidadores em estado de burnout cometem mais erros na administração de medicamentos, têm menos paciência para lidar com situações desafiadoras e são mais propensos a tomar decisões precipitadas em momentos de crise.
Aqui está algo que surpreende muitas famílias: uma boa equipe geriátrica não cuida apenas do idoso. Ela cuida também de quem cuida.
Nas consultas geriatrias bem estruturadas, o cuidador é parte ativa do processo. Isso significa:
Enquanto você ainda não tem apoio profissional estruturado, algumas práticas podem ajudar:
Você merece ser visto. Merece ser ouvido. Merece uma equipe que entenda que, nessa história, você também é parte essencial do cuidado.
Agendar uma consulta geriátrica para seu familiar pode ser, também, o primeiro passo para cuidar de você.
Dra. Patricia Pires
Médica Geriatra
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